Um nome em inglês, uma tarifa gourmet!!

Mais de dois anos depois de anunciar a intenção de criação de duas linhas de ônibus seletivas entre o Aeroporto de Viracopos e as cidades de Paulínia, Indaiatuba, Vinhedo e Valinhos, além de Barão Geraldo em Campinas, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU-SP) afirmou, através de seu diretor-presidente Joaquim Lopes, que as mesmas devem entrar em operação em um mês.

A criação das linhas atende uma demanda antiga da região para acesso ao Aeroporto. Atualmente apenas as cidades de Indaiatuba e Vinhedo contam com linhas metropolitanas para o aeródromo, todas comuns (ônibus com catraca). Fora isso, os usuários deveriam contar com linhas municipais de Campinas, geridas pela EMDEC, e pelo serviço de traslado da empresa Viação Lira.

Caracterização

Serão duas novas linhas: A linha 747 ligará a Rodoviária de Paulínia à Rodoviária de Indaiatuba, passando pelo distrito de Barão Geraldo. A viagem será direta, com parada apenas em Barão e em Viracopos, e deve ser realizada em um tempo médio de 95 minutos, percorrendo ao todo 67 quilômetros. Quatro veículos serão disponibilizados para a linha. A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) chegou a aventar que vetaria a passagem do itinerário pelo distrito de Barão Geraldo, mas as novas informações dão conta que a mesma desistiu de tomar essa decisão. Já a linha 748 ligará Valinhos ao aeroporto, parando em Vinhedo, e terá 36,4 quilômetros de extensão, a serem percorridos em 40 minutos com dois ônibus em circulação.

A EMTU espera que a linha 747 (Paulínia-Indaiatuba) transporte em média 400 passageiros por dia. Já a linha 748 (Valinhos-Viracopos) deve ser utilizada por aproximadamente 300 pessoas por dia. Não há definição da tarifa, e os motivos disso são explicitados a seguir.

Airport Bus Service

Serviço de ônibus do aeroporto, numa tradução literal, ou Serviço Aeroporto, como comumente é chamado, é um serviço de ônibus especial criado pela EMTU para atender inicialmente o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, ligando-o a pontos importantes da capital, como a Praça da República, Terminais Rodoviários da Barra Funda e Tietê, Circuito de Hotéis e o Aeroporto de Congonhas. Atualmente são cinco linhas seletivas e duas comuns (urbanas), sendo que as duas urbanas ligam o aeroporto à Estação Tatuapé.

O serviço é operado pelo Grupo Serveng e conta com ônibus rodoviários com alto nível de conforto, tais como ar condicionado, wi-fi, banheiros e compartimento de bagagens. Só uma coisa não é confortável: o preço.

As cinco linhas rodoviárias do Serviço Aeroporto possuem uma tarifa de R$ 42,00. Para efeito de comparação, se fossem enquadradas no mesmo regime tarifário das linhas seletivas da área 3 da Grande São Paulo, a tarifa variaria de R$ 7,65 a R$ 17,60. Em média as linhas apresentam uma tarifa 4 vezes maior do que as linhas convencionais seletivas (isto é, linhas nas quais também são utilizadas ônibus rodoviários). Em relação às linhas comuns que ligam Cumbica à Estação Tatuapé, não há discrepância: a tarifa é de R$ 5,15, a mesma utilizada em outras linhas da mesma faixa quilométrica.

O site do serviço enumera vários itens de conforto: além dos já citados, é exaltado o fato de poder-se contar com geladeira com copos de água e também pagar a tarifa com cartão de crédito em todos os pontos de embarque. Não me parece vantagens tão grandes pra justificar uma discrepância tão grande na tarifa.

Eu falei sobre o original porque as linhas prometidas para atender o Aeroporto de Viracopos constituirão uma versão do serviço de Guarulhos, batizado localmente de Viracopos Bus Service. Até a pintura padrão dos veículos será a mesma. Isso leva a crer que as tarifas das novas linhas serão tão discrepantes quanto das linhas da Grande São Paulo. Para mim, foi uma grande decepção, principalmente pela expectativa de utilizar a linha 747 para me dirigir até a cidade de Indaiatuba, já que atualmente não há uma linha ligando Paulínia àquele município.

Fica o questionamento: porque criar um serviço diferenciado para atender um aeroporto em crescimento, especialmente em razão da chamada classe C, para distâncias tão curtas? As pessoas querem se deslocar com o mínimo de conforto, claro, mas porque uma linha seletiva comum não poderia atender esse conforto? A linha rodoviária que liga Paulínia ao Terminal do Tietê, por exemplo, é classificada como comum, e seus veículos possuem banheiro, ar condicionado e poltronas reclináveis. O que além disso uma linha executiva (como são chamadas as linhas do Serviço Aeroporto) poderia oferecer para justificar uma tarifa tão alta?

No fundo, tenho uma expectativa de que por aqui as tarifas não sejam tão elevadas. A tarifa máxima de uma linha seletiva na RMC é de R$ 13,90, considerando uma tarifa de R$ 20,00 para o serviço aeroporto, ficaria minimamente “satisfeito” (destaque para as aspas). Entretanto, conhecendo os interesses que dominam os transportes metropolitanos, fico bastante cético em relação a isso.

Créditos da imagem: Bruno Dantas - Wikimedia Commons

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