Paulínia Dados

Este é o blog Paulínia Dados. Aqui você encontra gráficos sobre temas relacionados à Paulínia e a Região Metropolitana de Campinas (RMC), além de cruzamentos de dados e análises especiais. Sugestões e opiniões são bem-vindas!

Estudo da Agemcamp aborda deslocamentos na RMC

Paulínia é a terceira cidade a receber mais fluxos de outras cidades da RMC

A Agência Metropolitana de Campinas (Agemcamp), autarquia estadual, que tem por finalidade "integrar a organização, o planejamento e a execução das funções públicas de interesse comum na Região Metropolitana de Campinas", realizou uma análise do estudo “Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil”, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, focando no arranjo constituído na RMC. Segundo o IBGE, “arranjo populacional é o agrupamento de dois ou mais municípios onde há uma forte integração populacional devido aos movimentos pendulares para trabalho ou estudo, ou devido à contiguidade entre as manchas urbanizadas principais”.

O estudo mostrou que Campinas, Americana e Paulínia são, respectivamente, os três municípios que mais recebem fluxos externos de pessoas para trabalharem ou estudarem. A metrópole campineira é responsável por receber 114.893 pessoas (44,8% do total), enquanto Americana recebe 34.571 pessoas (13,48%) e Paulínia recebe 18.493 (7,21% da quantidade total). Por sua vez, os municípios que mais cedem moradores para atividades em outras cidades da região são Sumaré, com 50.361 pessoas que saem para estudar ou trabalhar fora (cerca de 19,64% do total), seguido de Hortolândia, com 46.136 pessoas (18%) e Campinas, com 33.022 (12,88%).

Paulínia também apresenta o terceiro maior índice de integração com a região metropolitana. Índice de integração é a relação entre a quantidade de pessoas que trabalham e/ou estudam em outros municípios e a quantidade de pessoas que trabalham e/ou estudam no próprio município. Nesse quesito, Holambra lidera, com 0,77, seguida de Nova Odessa (0,62) e Paulínia (0,60).

O estudo também apresenta os maiores fluxos da região. Entre os 10 maiores, dois envolvem Paulínia: Paulínia -> Campinas, que é o quinto maior fluxo da região metropolitana, e Cosmópolis -> Paulínia, que é o oitavo maior fluxo metropolitano.

A análise completa pode ser consultada no site da Agemcamp.

População da RMC ultrapassa 3 milhões de habitantes

O IBGE divulgou as estimativas populacionais para os municípios brasileiros em 01/07/2014. Fiz um gráfico com a população estimada dos municípios da RMC que somados totalizam 3.055.996 habitantes (contando também com a população do novo município da RMC: Morungaba).

Fonte: IBGE

Paulínia tem recorde de homicídios decorrentes da violência no trânsito

De abril/2013 a março/2014 foram registradas 18 ocorrências com vítimas fatais

Um levantamento dos dados da violência no trânsito de Paulínia revela uma realidade que merece atenção das autoridades de trânsito. O número de ocorrências com vítimas fatais vem aumentando.

Gráfico mensal de homicídios decorrentes da violência no trânsito de Paulínia

O gráfico acima apresenta uma linha média de tendência com ligeiro crescimento. Houve um pico de 4 ocorrências fatais em novembro/2013 e o segundo semestre de 2013 teve 11 homicídios, também um recorde. E o primeiro trimestre de 2014 já contabiliza 5 homicídios.

Gráfico acumulado de 12 meses de homicídios decorrentes da violência no trânsito de Paulínia

O gráfico da contagem acumulada de 12 meses mostra que havia uma tendência de queda no número de ocorrências fatais até setembro/2013 quando então ouve uma reversão da tendência que agora é de alta. Em março/2014 a contagem atingiu o pico de 18 homicídios decorrentes da violência no trânsito nos últimos 12 meses, o período mais violento da série acumulada.

Uma das hipóteses para explicar o aumento no número de homicídios é de que estaria associada a um maior volume de trânsito e também de ocorrências de trânsito em geral. Ou seja, um maior volume de trânsito levaria a um aumento relativo nas ocorrências não-fatais e nas também nas ocorrências fatais. Para checar esta hipótese, levantamos também os registros de ocorrências com lesão corporal decorrente da violência no trânsito.

Ocorrências não-fatais

O gráfico representa a estatística mensal de lesão corporal resultado do trânsito:

Gráfico de ocorrências de com lesão corporal decorrentes da violência no trânsito de Paulínia

O gráfico acima com registros mensais exibe uma flutuação estatística que não denota uma tendência de alta ou de baixa significativa. Os dados oscilam ora pra cima ora pra baixo em torno de uma linha média que se mantém praticamente constante há mais de 2 anos. Paulínia têm em média 28 ocorrências de lesão corporal resultado da violência no trânsito a cada mês.

Gráfico acumulado de 12 meses de ocorrências de com lesão corporal decorrentes da violência no trânsito de Paulínia

O gráfico acumulado de 12 meses confirma o gráfico anterior de que o número de ocorrências de lesão corporal tem se mantido praticamente constante ao longo dos períodos. A média é de 333 ocorrências de lesão corporal a cada período de 12 meses, ou seja, uma média próxima de uma ocorrência com lesão corporal por dia.

Os dados nos dizem

Uma das conclusões diretas dos dados é de que a estabilidade no número de registros de ocorrências não-fatais não ajuda a explicar a causa do aumento recente do número de ocorrências fatais. Se ambos aumentassem, a hipótese mais provável para explicar o fenômeno seria a do aumento do volume de trânsito.

Se somente as ocorrências fatais aumentam, devem ser analisados quais fatores que tem contribuído especificamente para este tipo ocorrência, que são muitos como: fragilização na fiscalização de trânsito para excesso de velocidade, deterioração da iluminação pública, deterioração da sinalização de trânsito, etc. Se o aumento das ocorrências é nas estradas, fora da competência do município, cabe ao poder municipal cobrar as autoridades responsáveis. Para tanto, o georreferenciamento dos registros poderia contribuir enormemente na compreensão dos dados para estabelecer as políticas públicas de trânsito mais eficazes para reverter a tendência. Ficaremos de olho no que os dados nos dizem.

Os números da violência no trânsito em Paulínia

A partir de uma tópico no Grupo É Paulínia, levantei o número de homicídios por acidente de trânsito registrados na Delegacia de Paulínia.

O resultado da pesquisa é alarmante. O número disparou no segundo semestre de 2013, totalizando 11 homicídios. Quando comparado com o mesmo período do ano anterior (segundo semestre de 2012) que teve 6 homicídios, constatamos o aumento de 83% no número de homicídios em decorrência da violência no trânsito.

Somente nos meses de janeiro e fevereiro de 2014, já tivemos 3 homicídios. Em janeiro e fevereiro de 2013 ocorreram 2 homicídios. Com mais 1 homicídio em 2014 já totalizamremos o mesmo número de 4 homicídios de todo o primeiro semestre de 2013. Estes dados confirmam a sensação que temos das ruas: a do aumento da violência no trânsito.

Em busca de apoios para uma "Manifestação pela PAZ no Trânsito", a cidadã paulinense Francimara Larisse criou uma enquete no Grupo É Paulínia. Participe!

Fonte: Secretaria de Estado da Segurança Pública.

Entenda a crise de abastecimento de água que envolve o Sistema Cantareira

Um assunto urgente e de vital importância mas que ainda pouco tem sido noticiado: a escassez de água na região de Campinas que, com a inesperada "estiagem" em pleno verão, tende a se agravar. O racionamento de água já atinge os municípios de Cosmópolis, Itu, Santo Antonio de Posse, São Pedro, Valinhos e Vinhedo. O problema, que põe em lados opostos a Região de Campinas e parte da Região Metropolitana de São Paulo já é considerado o maior conflito pela água no país.

Para entender essa disputa pela água, é preciso antes conhecer um pouco do Sistema Cantareira, que é responsável pela transposição das águas dos afluentes das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) para a Bacia do Alto Tietê que atende a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Na RMSP ainda não há falta d'água, diferente da realidade que se agrava na Região de Campinas que fica na Bacia PCJ.

Sistema Cantareira

Bacias PCJ e Sistema Cantareira

O Sistema Cantareira é formado por uma série de seis reservatórios: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha, Paiva Castro e Águas Claras, sendo os quarto primeiros localizados nos afluentes do rio Piracicaba de mesmo nome. Os afluentes Cachoeira e Atibainha formam o rio Atibaia que ao se juntar ao rio Jaguari forma o rio Piracicaba.

Os reservatórios do sistema são ligados por túneis e canais que captam e desviam água dos supracitados cursos de água da bacia do rio Piracicaba para a bacia do rio Juqueri, realizando assim uma transposição de águas para a bacia do Alto Tietê, de onde, no reservatório de Paiva Castro, as água são bombeadas para o reservatório de Águas Claras, tendo por finalidade o abastecimento em parte da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP)

Na RMSP, o sistema abastece as zonas norte, central, parte da leste e oeste da capital e os municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul, além de parte de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André. Totalizando na RMSP 8,8 milhões de pessoas.

Nas Bacias PCJ, são 76 municípios que dependentem do Sistema Cantareira, totalizando 5 milhões de pessoas.

Outorga

As normas atualmente em vigor (outorga de 2004) possibilitam que sejam transpostos para a RMSP até 31 m³/s, sendo 24,8 m³/s de vazão primária e 6,2 m³/s como vazão secundária. Para a Bacia PCJ, são garantidos 5 m³s, sendo 3 m³/s como vazão primária e 2 m³/s de vazão secundária. A vazão secundária é acrescida caso o reservatório não esteja com volume crítico de armazenamento. Mas a outorga também prevê um banco de águas virtual: se a RMSP não utilizou um volume de água nos anos anteriores, tem direito a fazer uso desse volume "virtual", que é uma água fictícia que não está nos reservatórios neste período atípico de estiagem em pleno verão. O Ministério Público pressiona para que esta regra do banco de água não seja seguida neste momento de crise.

A renovação da outorga está prevista para 2014. Há uma intensa disputa por parte dos municípios da Bacia PCJ por rever estes valores. Com a Bacia PCJ recebendo apenas a vazão primária de 3 m³/s, as águas do Rio Atibaia são praticamente esgotadas em Campinas.

Mortandade de peixes

Recentemente houve intensa mortandade de peixes em Piracicaba e Paulínia devido a estiagem mas que também podem ter se intensificado pela maior concentração de poluentes devido a baixa vazão liberada pelo Sistema Cantareira para as Bacias PCJ.

Histórico do volume armazenado e da pluviometria

ATENÇÃO: Clique aqui para ver os 2 gráficos atualizados

Afim de uma compreensão histórica, coletamos os dados de volume armazenado e de pluviometria do Sistema Cantareira, mês a mês, que são disponibilizados pela Sabesp. Cada ponto no gráfico corresponde ao volume armazenado no último dia do mês correspondente. Há dados desde janeiro de 2003 porém até agosto de 2004 os dados não consideravam um volume de reserva de 20%, portanto os valores seriam 20 pontos percentuais maiores, e não devem ser levados em conta para efeitos de comparações por isso não foram colocados no gráfico.

Uma análise do gráfico com a série histórica permite constatar a situação crítica. Em cinza estão as linhas que correspondem ao volume armazenado em anos de situação normal de abastecimento. Em cores estão os anos cuja trajetória foi ou é atípica.

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ATUALIAÇÃO 31/05/2014: A Sabesp passou a contabilizar a reserva do "volume morto" denominando-o como "reserva técnica", por isso a curva do gráfico 2014 tem um salto em maio/2014.

Algumas observações no gráfico:

  1. A trajetória da curva de 2013 (vermelho) tinha comportamento normalmente esperado até novembro. Já à partir de dezembro/2013 a situação tornou-se atípica, denotando situação de criticidade (escassez).
  2. O volume de fevereiro só tinha sido inferior ao de janeiro subsequente nos anos de 2010 e 2011, porém à época o reservatório tinha volume armazenado superior a 80%, suficiente para atravessar o período de estiagem com tranquilidade.

No gráfico de pluviometria fizemos uma média das linhas em cinza e azul, referente ao período de 2005 a 2012 para comparação com o período 2013 e 2014.

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Observado no gráfico:

  1. No gráfico da pluviometria fica evidente que a situação se tornou atípica desde novembro, quando choveu menos de 100mm, se agravou em dezembro quando choveu ainda menos, ao contrário do que era esperado. A situação seguiu se agravando nos meses de janeiro e fevereiro também com chuvas inferiores a 100mm, muito inferiores às médias registradas historicamente nestes meses.
  2. Atualização com dados de março/2014: choveu acima da média no mês de março. Desde o mês de julho/2013 não havia chuva acima da média..

Paiva Castro

Outro agravante da situação é que o reservatório de Paiva Castro funciona como uma "poupança de água" para a RMSP, pois ele não atende a Bacia PCJ, em outras palavras: só uma parte do volume total armazenado no Sistema Cantareira atende a Bacia PCJ. Os volumes armazenados podem ser consultados em tempo real neste link.

Sistema Cantareira em perfil

Renovação da outorga e eleições

Desde a outorga em 2004, a situação é inédita e se a chuva não vier, a situação ficará ainda mais dramática afetando enormes populações e exigindo criatividade das autoridades envolvidas: Sabesp e prefeituras. Além dos racionamentos na região de Campinas, outras medidas estão sendo tomadas, como o incentivo na forma de descontos na conta para os consumidores do sistema na RMSP que economizarem, e o recente anúncio de uso de outros Sistemas para abastecer parte dos consumidores da RMSP.

A crise, às vésperas de uma renovação da outorga, abre oportunidade para um novo regime de distribuição das águas que leve a um equilíbrio mais justo na divisão da água, de modo que a transposição de águas da Bacia PCJ para o Alto Tietê não exponha a Região de Campinas a situação tão crítica quanto agora, e que reveja a regra do banco de água pois, como acontece agora, sem sua suspensão em períodos de crise, permite a Sabesp - nas palavras do Ministério Público - fazer uma "poupança de água" em Paiva Castro.

O Consórcio PCJ acusa a Sabesp de não ter feito os investimentos necessários para reduzir a dependência da RMSP em relação ao Sistema Cantareira, o que teria liberado água para o desenvolvimento dos municípios da Bacia PCJ sem os custos adicionais que são gerados nas soluções criativas de abastecimento, como Piracicaba que foi buscar água no Rio Corumbataí, distante 20 km do município.

Além de ser ano de Copa, também é ano de Eleições. E na contabilidade política, ainda sem um racionamento na RMSP, é a Região de Campinas quem vai pagando mais caro por essa aposta da Sabesp nas chuvas que não vieram.

Anexo - Mapa das Bacias PCJ (clique para ampliar)

Mapa das bacias PCJ

Conteúdo sindicalizado